Monthly Archives: June 2018

Teatro Impossível de Alvaro García de Zúñiga – O’Culto da Ajuda 19, 20 e 21 de Julho | 21:30

Evocação da peça Théâtre ImpossibleTeatro Impossível escrita e encenada por Alvaro García de Zúñiga e estreada no ACARTE, em 1998.

Versão para quatro: um actor e outros três: Fernando Mora Ramos, Alínea B. Issilva, Eduardo Raon e José Luís Ferreira.

Texto adaptado a partir da tradução de Dóris Graça Dias, sem as legendas, mas com manual de instruções. Encenação: Fernando Mora Ramos.

Théâtre ImpossibleTeatro Impossível foi o resultado de uma encomenda de Yvette Centeno a quem, com toda a certeza, nunca agradeceremos o suficiente. Esta produção assinala os 20 anos da peça, no ano em que Alvaro García de Zúñiga cumpriria 60.

“Lamentavelmente – hélas e ohimé – após meses e meses de escrita, ensaios, reescritas, discussões e gravíssimas discussões sobre o conteúdo da peça Théâtre Impossible – e sobre a própria questão de saber se a peça tem (algum conteúdo), qualquer que seja, o que não é de todo evidente – a equipa acabou por chegar à conclusão de que é absolutamente impossível levar à cena “Théâtre Impossible” ao contrário do anunciado. Esta impossibilidade paradoxal, mais do que uma pedra no sapato, cai como uma luva, ou melhor ainda como retórica na língua, permitindo-nos contra todas as expectativas apresentar nas datas previstas, um sapato, uma mão e uma língua. Já é qualquer coisa.”

Alvaro García de Zúñiga, 1998

 

Texto de Henrique Manuel Bento Fialho sobre o “Teatro Impossível” 

 

Sobre esta reposição

Théâtre ImpossibleTeatro Impossível”, assim com esta grafia, estreou em Novembro de 1998, no ACARTE. Foi o resultado de uma encomenda que Yvette Centeno dirigiu a Alvaro García de Zúñiga. Foi a primeira peça que o AGZ escreveu e encenou. Foi dedicada a Leopold von Verschuer, actor bilingue franco-alemão, único actor em cena.

A peça estreou em francês, em Lisboa, – daí o Théâtre Impossible rasurado. A tradução foi de Dóris Graça Dias.

A versão que se realizou para a Sala-Estúdio do Teatro da Rainha e para o O’Culto da Ajuda, é uma reinvenção da peça, como quase fatalmente acontece com qualquer realização cénica de AGZ que sempre se exercitou a tirar virtuosamente partido do acaso – ou das oportunidades – que cada circunstância específica pode conter. Irrepetível, portanto. Desta vez, de resto, os intérpretes serão pelo menos quatro (mesmo se a lista de personagens é muito maior, e em grande parte também não se conhece).

Esta remontagem inclui ainda um texto inédito de AGZ: o Manual de Instruções da peça “Errare Humanum Est” que se apresenta em jeito de prólogo depois de uma pré-abertura intempestiva. De resto a estrutura assenta na sequência dos 6 “logos” da peça “Logues”, blocos de textos bio-filolosóficos para uma, ou várias vozes.

A forma desta apresentação é uma leitura-ensaio des-e-concertante com um pé no teatro e outro na música. É um dos muitos resultados para que os textos de AGZ podem conduzir, com inteligência, sensibilidade e humor, certamente, mas sem a pretensão de chegar realmente a algum lado.

AGZ nasceu em Montevideu em 1958 e viveu em Lisboa os seus últimos 20 anos de vida. Em 1996, criou comigo a associação blablaLab, que este ano organiza o programa Alvaro LX, que assinala o 60º aniversário de AGZ, e ao qual se juntaram a Companhia Teatro da Rainha e a Miso Music, para a produção desta peça. Ao Fernando Mora Ramos, ao José Luís Ferreira e ao Eduardo Raon que dão corpo, voz e espírito, tornando possível o improvável teatro impossível, os nossos profundos agradecimentos; bem como à Yvette Centeno e ao Leopold von Verschuer, indissociáveis da génese desta obra, e o Miguel Azguime, companheiro das aventuras alvarianas em Portugal, desde a primeira hora.

Teresa Albuquerque

Mais informação no Arquivo da blablaLab